(...) Subir a escada na casa da palavra é, de degrau em degrau, abstrair. Descer ao porão é sonhar (...)"..(BERGSON)
domingo, 10 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
diálogo ao acordar
- Você tem?
- O quê?
- Você sabe.
- Não, não sei.
- Tenta lembrar.
- Não sei.
- Você tem medo?
- Medo, medo do quê?
- De falar.
- Por que eu teria medo de falar?
- Então por que finge que não se lembra?
- Quando eu finjo?
- Não adianta disfarçar...
- Eu não disfarço.
- Disfarça. Eu sei muito bem quando está mentindo.
- Mentira!
- Isso pra mim é medo.
- Eu não sou covarde.
- Mas sofre.
- O meu sofrer não te diz respeito.
- Diz muito respeito. Nós moramos juntos, esqueceu?
- E o que isso implica?
- Implica que nós devemos conversar.
- E se eu não tenho nada pra falar.
- Como não tem nada pra falar, você não deseja me conhecer melhor?
- Eu já te conheço.
- Não, não conhece. Você é frio.
- Eu não te entendo, sabia?
- Ah, mas é claro que não me entende, foge de mim toda hora.
- Eu não fujo de você.
- Se não foge, então por que não conversa comigo?
- E o que é que eu estou fazendo agora?
- Isso não é conversar.
- É o que então?
- Conversar envolve sentimentos, sei lá.
- E se eu não quero conversar?
- Em que mundo você vive, hein?(pausa) Você está sem ação.
- Mas estou vivendo.
- Por que nunca me abraça?
- Sou tímido.
- Timidez tem cura!
- Não quero ser curado.
- Não entendo seu terrorismo.
- Não é terrorismo.
- É o que então?
- Está tão longe...
- Você é quem pensa pelo contrário, está perto!
- Ficaremos bem, não se importe tanto.
- Ficar bem não é o suficiente.
- É o suficiente para um começo.
- Todos nós já estamos começados por algum mal.
- Contra nossa própria vontade.
- Sim, temos vontades, mas somos traídos.
- Tudo faz sentido, se não quero falar não quero me relacionar.
- Não é bem assim não.
- É como então?
- Pense em uma palavra bonita. Pensou?
- Pensei.
- Fale-a pra alguém.
- Não faz sentido pra ninguém.(sai)
- Eu sabia, não existem palavras bonitas pra você, não é?
- O quê?
- Você sabe.
- Não, não sei.
- Tenta lembrar.
- Não sei.
- Você tem medo?
- Medo, medo do quê?
- De falar.
- Por que eu teria medo de falar?
- Então por que finge que não se lembra?
- Quando eu finjo?
- Não adianta disfarçar...
- Eu não disfarço.
- Disfarça. Eu sei muito bem quando está mentindo.
- Mentira!
- Isso pra mim é medo.
- Eu não sou covarde.
- Mas sofre.
- O meu sofrer não te diz respeito.
- Diz muito respeito. Nós moramos juntos, esqueceu?
- E o que isso implica?
- Implica que nós devemos conversar.
- E se eu não tenho nada pra falar.
- Como não tem nada pra falar, você não deseja me conhecer melhor?
- Eu já te conheço.
- Não, não conhece. Você é frio.
- Eu não te entendo, sabia?
- Ah, mas é claro que não me entende, foge de mim toda hora.
- Eu não fujo de você.
- Se não foge, então por que não conversa comigo?
- E o que é que eu estou fazendo agora?
- Isso não é conversar.
- É o que então?
- Conversar envolve sentimentos, sei lá.
- E se eu não quero conversar?
- Em que mundo você vive, hein?(pausa) Você está sem ação.
- Mas estou vivendo.
- Por que nunca me abraça?
- Sou tímido.
- Timidez tem cura!
- Não quero ser curado.
- Não entendo seu terrorismo.
- Não é terrorismo.
- É o que então?
- Está tão longe...
- Você é quem pensa pelo contrário, está perto!
- Ficaremos bem, não se importe tanto.
- Ficar bem não é o suficiente.
- É o suficiente para um começo.
- Todos nós já estamos começados por algum mal.
- Contra nossa própria vontade.
- Sim, temos vontades, mas somos traídos.
- Tudo faz sentido, se não quero falar não quero me relacionar.
- Não é bem assim não.
- É como então?
- Pense em uma palavra bonita. Pensou?
- Pensei.
- Fale-a pra alguém.
- Não faz sentido pra ninguém.(sai)
- Eu sabia, não existem palavras bonitas pra você, não é?
sexta-feira, 11 de março de 2011
Toda a matéria do universo está concentrada em um só ponto
Passei a observar mais o céu, como é imenso e misterioso, como somos minúsculos e ponto. Nada disso, somos ligados a tudo isso.
corrida
Sofre de desilusão por amor
Não sabe o que fazer com essa dor
Partiu sabendo do arrependimento
Um tormento que será eterno
Embora quisesse ficar diante do imperdoável
visita ao porão
Tanto mar, tanto desejo, tanta angustia, tanta solidão
A fusão de tudo isso acabou me levando ao porão.
O que se encontra no porão
São gatos perseguindo ratos feito tentação
E o barulho dos cupins...
Será que só me trancando em um mundo assim
Pra eu poder enxergar o que está faltando em mim?
A escuridão me domina
Domina meus pensamentos
Perturba o meu corpo
E derrama sobre o meu espírito o medo de levitar
Gasto o meu sono...
Gasto o meu pulsar...
Gasto o meu ar...
Sou a sombra dos passos sobre mim
Sou a causa do medo das pessoas de passos medidos
É meu o olho que olha pelas frestas o lampião.
Me vejo no vazio da solidão
Montado em minha própria razão
Que se diz limitada pelo porão.
Eu não nasci limitado
Mas nasci e morri ali.
sonambular
Um novo cigarro aponta para o meu inconsciente
Se tudo que sonhei foi verdade
Soletro a palavra
Mas a palavra está guardada no mais profundo dos seus significados
Pergunto se o sono de quem dorme...
As palavras escondidas no seu sono são seus sonhos.
Acordei sem sono
Sem a mínima vontade de dizer uma palavra
Descobri que meus sonhos são sonos
E que é preciso dormir para renová-los.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Atropelo
O QUE OS OUTROS PENSAM DARIA TAMBÉM UM LIVRO, MAS PREFIRO FICAR COM O QUE DESCOBRI VIVENDO.
OS OUTROS ME JULGAM PELOS MEUS OLHARES INDISCRETOS, APRENDI QUE SÃO OS QUE CHEGAM PRIMEIRO, MAS QUE ÀS VEZES FERE AO TENTAR UMA APROXIMAÇÃO.
QUEM NÃO ESTÁ PREPARADO QUE NÃO CRUZE MEU CAMINHO.
DIGO QUE NÃO VOU VOLTAR ATRÁS, DIGO QUE NÃO VOU PERDOAR, MAS O TEMPO CORRÓI TUDO POR DENTRO E ACABO PARTILHANDO MEUS ATROPELOS.
OS OUTROS ME JULGAM PELOS MEUS OLHARES INDISCRETOS, APRENDI QUE SÃO OS QUE CHEGAM PRIMEIRO, MAS QUE ÀS VEZES FERE AO TENTAR UMA APROXIMAÇÃO.
QUEM NÃO ESTÁ PREPARADO QUE NÃO CRUZE MEU CAMINHO.
DIGO QUE NÃO VOU VOLTAR ATRÁS, DIGO QUE NÃO VOU PERDOAR, MAS O TEMPO CORRÓI TUDO POR DENTRO E ACABO PARTILHANDO MEUS ATROPELOS.
Uma intenção que faça algum sentido
PROCURO O MEU LUGAR EM UMA CADEIRA NUMERADA DO TEATRO
PROCURO ME ENCONTRAR DENTRO DE MINHA PRÓPRIA CASA
CONSIGO APENAS ME LEMBRAR DE ALGUNS MOMENTOS DE SONHOS PASSADOS
O MEU SONO é PESADO PRA CARREGAR SONHOS POSSIVEIS DE SEREM LEMBRADOS
SINTO A MÚSICA E ELA ME CONFUNDE AINDA MAIS,
LEVANDO-ME A CAMINHOS QUE TRANSPORTAM NOVOS PENSAMENTOS
SINTO PRAZER EM OUVIR SONS ORGANIZADOS
E A ELES DAR UMA INTENÇÃO QUE FAÇA SENTIDO
Everton Bonfim-03-2011
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